Um Tempo Para Stroll
Um tema que precisava ser discutido por aqui antes do início da temporada.
Vamos do início.
Quem acompanha o Blog sabe que não é de hoje que havíamos detectado a sombra
de Lawrence Stroll sobre a categoria máxima do automobilismo.
Conduzido por Flavio Briatore (a pedido de Bernie Ecclestone), Lawrence buscou
uma forma de participar da festa.
Conversou com a Marussia.
Trocou ideias com a Lotus.
Bateu na porta da Sauber (tentativa de compra - auxiliado por Gerhard Berger).
Tomou chá na McLaren.
Por fim, no dia 4 de julho de 2015 comentamos sobre o acordo fechado entre
bilionário canadense e a Williams.
E ainda que o lugar de Massa estaria seriamente ameaçado na temporada
de 2017 por causa de Lance, seu filho.
O tempo passou.
E Lance Stroll desembarcou na Fórmula 1.
O sonho de Lawrence (um apaixonado por corridas) se realizou!
OK.
Só que nesse instante a coisa mudou de figura.
Pois o menino Stroll não estava mais no Kart ou na Fórmula 3.
Através do dinheiro, chegou ao ápice.
Nem tente argumentar.
Nada no automobilismo se compara com a Fórmula 1.
Quem disse isso foi Mark Webber.
Acredito na palavra do australiano que experimentou máquinas
maravilhosas após deixar a categoria máxima.
Incomparável.
E estar num clube tão exclusivo tem seu preço.
A cobrança dos leigos e especialistas é alta.
Uma piscina de tubarões.
Que Lance Stroll sentiu na pele durante os testes de Barcelona.
Vieram muitas críticas.
A maioria rasteira.
Impressionante como os sites de automobilismo são rasos.
E se repetem com uma empáfia de dar pena.
Replicando notícias sem sequer fazer uma pesquisa mais aprofundada.
Agregar valor para que a informação possa chegar, ao menos, mais
prazerosa.
Nada.
Passo.
Até que li uma ou outra boa análise.
Entretanto a maioria acusa Stroll de ser filho de um pai lotado de dinheiro.
E que não merecia estar onde está.
Mas eu fiquei pensando numas coisas.
Tipo assim.
Que o automobilismo sem dinheiro não existe.
Parafraseando.
Não há corridas grátis.
Alguém precisa pagar.
Outro dia Felipe Massa contou sobre sua alegria quando o pai dele
comprou seu primeiro Kart.
Quem pode fazer isso por um filho?
Como um pobre iria começar uma carreira nas pistas?
O pai de Hamilton se desgraçou financeiramente, deixando de lado
até mesmo o irmão de Lewis nos primeiros anos, apostando que ele
poderia brilhar.
Até que um dia Ron Dennis abraçou e conduziu o restante da vida do
talentoso piloto.
E se a McLaren não tivesse feito isso?
Até onde iria Lewis sem grana e com seus parentes em sérias dificuldades?
Nas campeonatos de Kart para os mais novos na Europa, trinta garotos
andam trocando posições na frente separados por décimos.
Embolados.
Falando apenas dos promissores.
Penso como um menino brasileiro vai sair daqui sem grana para disputar
roda a roda no velho continente com uma galera que não está ali para
brincadeira.
Vai ficar sonhando que um Ron Dennis irá aparecer e apontar o dedo?
Quero dizer que é preciso haver uma base financeira sólida para que
haja continuidade.
Evolução.
E, aí sim, estar preparado para a oportunidade.
Mas alguém precisa bancar.
Bancar tudo.
Falamos de Hamilton.
Coisa de maluco.
Nos últimos seis meses antes de sua estreia na Fórmula 1, Lewis rodou o
equivalente a 24 GPs em testes com carros da McLaren nas mais diversas
pistas.
Programa pesado e caro de preparação.
Outro exemplo.
Sebastian Vettel.
Piloto milimetricamente moldado para a Fórmula 1 pela Red Bull.
A turma do energético criou uma equipe e um piloto.
Vettel é uma máquina programada para vencer desde o Kart.
Contemporâneo do alemão nas categorias de base e companheiro de time,
o brasileiro Átila Abreu revela que tudo era diferente com Sebastian.
Além da Red Bull, havia o apoio da BMW e Michael Schumacher.
Carros a disposição e estrutura.
"E ainda ele era muito talentoso, muito rápido e competitivo ao extremo.
Todos nós sabíamos que seria impossível ele não chegar até a Fórmula 1."
O dinheiro é essencial.
Para a preparação.
Para a trilhar o caminho.
Mais.
Repare que não basta apenas ter facilidades na conta bancária.
É preciso um planejamento detalhado para forjar um vencedor.
As pessoas certas precisam estar envolvidas no projeto o tempo
inteiro.
Cito o caso de Matheus Leist.
O campeão da F3 Britânica que nesta temporada se mudou para os
Estados Unidos e desembarcou na Indy lights.
A justificativa para a mudança?
O programa Mazda Road para Indy dá mais oportunidades para se
tornar um piloto de corrida profissional.
Simples.
Mais fácil por lá.
A concorrência é duríssima do outro lado do Atlântico.
Leist enfrentou Lando Norris.
Hoje Norris está com sua carreira vinculada a McLaren.
Entre os dois, quem você acha que possui mais chances?
Mesmo com dinheiro (família rica) e boa assessoria, o brasileiro
percebeu que não havia uma linha definida para seu futuro dentro
da Europa.
Difícil.
A FIA tentou privilegiar o talento com o sistema de pontuação da
Super Licença.
Com isso o piloto precisa mostrar resultados consistentes agora.
Note que ao final de tudo, o talento define até onde o piloto pode ir.
Citei os exemplos de Hamilton e Vettel de forma proposital.
São casos de sucesso.
Compare os resultados desses dois, que foram sempre tratados como joias,
com outros de sua geração que não tiveram os mesmos privilégios antes e
que chegaram até a Fórmula 1 sem estar tão preparados.
Recorde as dificuldades de Romain Grosjean.
E os problemas de relacionamento de Paul di Resta com seus engenheiros.
Somente para exemplificar.
Voltemos ao novato.
Enxergo Lance Stroll como um rapaz de família rica sendo preparado nas
melhores escolas.
(Hamilton e Vettel teriam sido bolsistas?)
Durante sua infância foi monitorado por Hugo Mousseau até adolescência.
A partir daí Luca Baldisserri (ex-engenheiro de Schumacher) assumiu até
sua chegada na Williams.
Acabou colecionando vitórias.
Stroll recebeu a melhor formação.
Foi educado para entender a linguagem dos engenheiros e analisar o
desempenho do carro.
Sabe como lidar com a mídia e os patrocinadores.
(falando nisso, Stroll colocou a fabricante de aviões Bombardier entre
os apoiadores da Williams em 2017)
Teve aulas de estratégia de corrida e acesso a programas de computador
projetados para melhorar reflexos e visão periférica.
Simuladores não possuem segredos para ele.
Sua preparação física é executado sob o olhar de Ville Vihola.
O mesmo que trabalhou por quatro temporadas com Lewis Hamilton
na F1.
Mousseau entrega que Stroll segue a risca a equação para ser campeão
mundial.
Imagino a equação.
Dinheiro + Preparação + Perseverança + Força + X = Conquistas
Lance Stroll precisa mostrar agora perseverança para superar as
dificuldades e a desconfiança que cerca seu nome.
Que possui força e cabeça para aturar comparações com um companheiro
experiente como Felipe Massa.
E, enfim, que consegue obter resultados.
O tempo também vai revelar se ele possui o elemento X.
Que é o mais importante.
Talento.
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